28 de março de 2017

O Rito Adonhiramita

Origens do Rito Adonhiramita

O contexto histórico: A França Maçônica do século XVIII

O Rito Adonhiramita é filho da Maçonaria francesa. Para compreender suas origens é necessário compreender como se desenvolve a Maçonaria Francesa no século XVIII.
Na França a Franco-Maçonaria obediencial, ou seja, regulamentada por um sistema institucionalizado, foi implantada por volta de 1725, através de imigrantes ingleses exilados por razões políticas ou religiosas. Em Paris é notável o número deles e sua origem, em geral, é Londres. Junto com suas bagagens trazem os costumes e procedimentos maçônicos utilizados na capital inglesa daquela época, da primeira Grande Loja de 1717. Esses primeiros costumes sofrerão significativas mudanças em pouco tempo.
Na Inglaterra, a partir de 1725, com o desenvolvimento do Grau de Mestre, começam a se desenvolver os Graus de Aperfeiçoamento. Muitas Lojas os praticam e não havia nenhum regulamento em relação a eles. Os mais antigos fazem referência à lenda do terceiro grau e ao espírito cavalheiresco.
Obviamente que, com o trânsito de maçons entre Londres e Paris, esses desenvolvimentos, em pouco tempo, estarão em uso no território francês.

Em 1730, a Grande Loja de Londres introduz inovações em seus procedimentos litúrgicos como reação ao tristemente célebre “Masonry Dissected” de Samuel Pritchard, que seria traduzido e reeditado na França em 1745 como “L’Ordre des Francs-Maçons trahi”.

Com o sucesso de vendas da obra de Pritchard, e com a lenda de que os franco-maçons se ajudam financeiramente, de que nenhum maçom é deixado na penúria, de que sendo maçom a vida se torna mais fácil, há verdadeira corrida de uma horda de profanos que, tendo se apoderado dos segredos ritualísticos das Lojas através da citada obra, apresentam-se às Lojas como maçons…

As modificações introduzidas pela Grande Loja de Londres, visando identificar os falsos maçons produzidos pela obra de Pritchard são, basicamente, a inversão do pé da marcha, a inversão das Colunas dos Aprendizes e Companheiros, a mudança das palavras e a introdução de uma palavra de passe no Grau de Aprendiz.

Em 1728 estava organizada a primeira instituição maçônica na França, a “Grande Loja da França”. Em 1735, a Grande Loja da França solicita da Grande Loja de Londres a autorização necessária para tornar-se uma Grande Loja provincial, o que foi negado. Em 1743, a autorização foi dada e uma instituição foi constituída com o nome de “Grande Loja Inglesa da França”. Essa mesma instituição, em 1773, mudaria seu nome para “Grande Oriente da França”.

Os rituais transplantados de Londres a Paris são, obviamente, os já modificados 13 anos antes, ou seja, com as Colunas invertidas, a mudança das palavras, o pé direito iniciando a marcha e a Palavra de Passe no Grau de Aprendiz.

As Lojas francesas praticavam tanto os 3 Graus Fundamentais (Aprendiz, Companheiro e Mestre), quanto os Graus de Aperfeiçoamento. Com o passar do tempo, quase em cada província francesa haverá um sistema diferente. A criação de sistemas ritualísticos como a “Reau-Croix”, conhecida como “Ordem dos Sacerdotes Eleitos do Universo” (Elus Cohen) na década de 1740, a Estrita

Observância Templária (de origem alemã) e o sistema conhecido como “Rito de Perfeição de Heredom” (1758), originado com o discurso de Ramsay em 1738, que misturavam pretensões políticas, valores cavalheirescos e temas alquímicos, herméticos e esotéricos, produziram o caldo cultural necessário para uma verdadeira explosão de Graus Maçônicos.Em 1773, devido ao caos instalado pela enormidade de graus praticados sem qualquer regulação, o Grande Oriente da França, tentando introduzir alguma uniformidade nesse emaranhado, cria uma comissão dos Altos Graus que permanecerá com uma atividade bastante modesta até 1782, quando será criada a Câmara dos Graus.

Em 1780, como reação à publicação do “Catechism de Franc Maçons”, mais uma obra medíocre das tantas que abundavam (e ainda abundam), que desagradou profundamente a um grande estudioso maçonólogo da época, Louis Guillemain de Saint Victor, este preparou um estudo contendo pesquisas relativas aos mistérios da Antigüidade, e lançou dois anos depois a “Recueil Precieux de La Maçonnerie Adonhiramite” (Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita). A parte publicada em 1782 abrangia 4 graus, ou seja, Aprendiz, Companheiro, Mestre e Mestre

Perfeito. Em 1785 ele lança uma segunda parte onde outros graus eram tratados. Eram eles:

– Primeiro Eleito ou Eleito dos Nove;
– Segundo Eleito ou Eleito de Perignam;
– Terceiro Eleito ou Eleito dos Quinze;
– Aprendiz Escocês ou Pequeno Arquiteto;
– Companheiro Escocês ou Grande Arquiteto;
– Mestre Escocês;
– Cavaleiro da Espada ou Cavaleiro do Oriente ou da Águia;
– Cavaleiro Rosa-Cruz.

Ao final dessa edição, constava também a tradução do alemão de um grau denominado “Noaquita ou Cavaleiro Prussiano”, o qual era atribuído a um autor maçônico denominado Bérage. Este “13º” foi interpretado por alguns autores como o último grau da Maçonaria Adonhiramita. No entanto, se bem analisado o contexto, fica claro que não existe qualquer ligação entre os graus anteriores e esse 13º grau. Além do mais o próprio autor, Louis Guillemain de Saint Victor, afirmou que o grau de Cavaleiro Rosa-Cruz é o ápice e o término de seu sistema.

O período em que Louis Guillemain de Saint Victor escreve é extremamente significativo para a Maçonaria Francesa. Em 1° de Fevereiro de 1782, mesmo ano em que foi lançada a primeira parte da “Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita” ocorre a 121ª assembléia do Grande Oriente da França, onde os irmãos constituem a Câmara dos Graus que se reúne para debates em 19 de fevereiro de 1782. Em 5 de março, o Irmão Orador Roëttier de Montaleau, propõe o estudo de todos os graus existentes praticados na França para que se faça uma síntese dos mais importantes e se crie um sistema ordenado, que contemple toda a filosofia maçônica.

Em 21 de fevereiro de 1783, a Câmara dos Graus apresentará o resultado de uma pesquisa sobre 38 Altos Graus sem nenhum resultado prático.

Em 2 de fevereiro de 1784 é publicada uma circular anunciando que sete Lojas Capitulares Rosa-Cruz se associaram para formar o Grande Capítulo Geral da França. Esse Capítulo Geral da França, vai analisar nada menos de 81 Graus diferentes, onde se contavam 75 Altos Graus só entre os chamados “escoceses” e mais de 135 sistemas ou ritos. O Capítulo Geral tentará os resumir em 5 Ordens, que se tornarão, por assim dizer, o fundamento da “ortodoxia maçônica” na França, que sintetizarão os elementos fundamentais dos ensinamentos e a forma mais tradicional da família de graus que ele representa.

Já na época de formação do Grande Capítulo Geral, depois de se definir que todos os Graus estudados seriam resumidos em 4 Ordens, se estabeleceu uma 5ª Ordem, chamada de “Ilustre e Perfeito Mestre” que seria o Grau Acadêmico e administrativo destinado a conservar e estudar todos os graus e sistemas e que também serviria para administrar o Grande Capítulo Geral.

Em 19 de março de 1784, é publicado o ritual da 1ª Ordem – Eleito Secreto.
Em 18 de dezembro de 1784 é publicado o ritual da 2ª Ordem, Escocês.
Em 19 de Maio de 1785 é publicado o ritual da 3ª Ordem, Cavaleiro do Oriente.

No segundo semestre de 1785 se publica o ritual da 4ª Ordem, Soberano Príncipe Rosa-Cruz.

O Grande Oriente da França e o Grande Capítulo Geral da França entrariam em conflito diversas vezes, pelo fato de haver uma certa confusão em relação à autoridade sobre os Graus e as Lojas.A obra de Louis Guillemain de Saint Victor teve repercussão extremamente positiva a ponto de em 1785 (ou seja, apenas 3 anos após o lançamento da primeira parte e no mesmo ano do lançamento da segunda), já estar sendo publicada, em francês mesmo na Filadélfia, EUA. Esta obra se tornou uma referência canônica do Rito Adonhiramita, e com ela o próprio rito alcançou ampla divulgação e expansão na Europa, chegando a se tornar o principal rito do Grande Oriente Lusitano e sendo exportado para suas colônias na África, Ásia e Novo Mundo, inclusive o Brasil.

Na França, tornou-se, junto com a estrutura proposta pelo Grande Capítulo Geral, o padrão de “Ortodoxia Maçônica”.
Aliás, é sob o titulo de “Ortodoxia Maçônica” (“Orthodoxie Maçonnique suive de La Maçonnerie Oculte”, editada em 1837), que Jean Baptiste Marie Ragon (1781-1862) irá cometer dois erros grosseiros que se propagarão com grande sucesso.

O primeiro erro de Ragon é a atribuição da “Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita” ao Barão de Tschoudy (Théodore Henry de Tschoudy). Esse erro será repetido “ad nauseam” em Portugal e no Brasil.

Tschoudy não teve absolutamente nada a ver com o Rito Adonhiramita. Sua obra, “A Estrela Flamejante” lançava as bases de uma Ordem denominada de ‘Ordem da Estrela Flamejante’, de características alquímicas.

Em 1766, Tschoudy instituiu, mais no papel do que efetivamente, sua Ordem, baseado na lenda de que tradições alquímicas teriam sido passadas pelos ascetas da antiga Tebaída às Ordens de Cavalaria cristã e dessas para a Franco- Maçonaria.
Tschoudy faleceu em 1769, ou seja, 13 anos antes do lançamento da primeira parte da “Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita”.

Ragon confundiu as coisas e atribuiu ao Barão a autoria da “Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita”.
O segundo erro de Ragon foi a afirmação de que o Rito Adonhiramita constava de 13 Graus, pois, para Ragon, o Grau de Noaquita, seria o 13º Grau. A obra fundacional do Rito Adonhiramita, ou seja, a “Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita” veio para o Brasil através de uma edição de 1810. Essa edição foi traduzida e publicada pela “Typographia Austral”, no Rio de Janeiro, no ano de 1836 como “Coleção Preciosa da Maçonaria Adonhiramita” .

A primeira Loja REGISTRADA no Grande Oriente do Brasil como praticante do Rito Adonhiramita foi a “Sabedoria e Beneficiência”, um ano depois do lançamento da tradução à qual aludimos acima (1837). Há a hipótese de que a Loja “Reunião” (1801) e a Loja “Distintiva” (1812), ambas localizadas na atual Niterói, trabalhariam no Rito Adonhiramita, mas não é possível afirmar isso com certeza.

O Grande Oriente do Brasil, à época, era uma Obediência Mista, ou seja, trabalhava os Graus Simbólicos e os Graus Superiores, sem divisão.

A Carta concedida para a fundação do Grande Oriente Brasílico previa a autorização para se trabalhar em todos os Graus utilizados na França e em Portugal, com a exceção dos pertencentes ao Rito Escocês Antigo e Aceito que, desde 1801, exigia a concessão de uma patente separada, patente essa que deveria ser emitida pelo Supremo Conselho de Charleston ou por Supremo Conselho por ele reconhecido. Justamente por isso, posteriormente (1854), o Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil se tornaria também o Soberano Comendador do REAA, pois este era o único Rito trabalhado no Brasil (introduzido em 1829) que exigia uma autorização separada. Já em 1832 foi fundado o Supremo Conselho do REAA no Brasil que trabalharia como uma Potência Maçônica

Independente.Em 1839, o GOB criaria um “Grande Colégio dos Ritos”, que era um tipo de departamento para o governo dos Ritos Adonhiramita, Moderno e Escocês (de maneira irregular), já que o REAA deveria funcionar, e de fato já funcionava, separado.

Em 1854, com a incorporação regular do Rito Escocês Antigo e Aceito ao GOB, o “Grande Colégio dos Ritos” sofreu uma transformação. Tendo em vista que, oficialmente, o REAA se incorporaria ao GOB e exigia um governo separado, não poderia ser simplesmente juntado ao “Grande Colégio de Ritos” ou fundido como era antes. Sendo assim, em 1855 foi criado o “Sublime Grande Capítulo dos Ritos Azuis” (i.e. Moderno e Adonhiramita), que comporia colateralmente ao Supremo Conselho do REAA, as Oficinas Chefes dos Ritos.

Para governar as Lojas e Câmaras do REAA, o Grão-Mestre teria que se tornar, também, o Soberano Comendador do Supremo Conselho.

O “Sublime Grande Capítulo dos Ritos Azuis” teve existência curta. Em 1863, menos de dez anos após sua criação, ocorreu a dissidência liderada por Joaquim Saldanha Marinho, onde foi criado o “Grande Oriente do Vale dos Beneditinos.

No Grande Oriente “dos Beneditinos” o Rito Adonhiramita foi muito bem sucedido. O número de Lojas trabalhando no rito suplantou aquelas do GOB.
Foi o Grande Oriente “dos Beneditinos” que criaria o primeiro corpo capitular do Rito Adonhiramita no Brasil, em 3 de Outubro de 1872 seria criado o “Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas”.

No GOB foram fundadas as Lojas “Aliança” (1869) e a “Redenção” (1872), que perfaziam 3 Lojas (com a “Firmeza e União”) do GOB contra 5 em funcionamento no Grande Oriente dos Beneditinos.

Com essas 3 Lojas, o GOB criou pelo decreto nº 21 de 2 de abril de 1873 o “Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas”, homônimo ao seu concorrente no outro Grande Oriente. Cabe salientar que o erro de Ragon, o de que o Rito Adonhiramita tinha 13 Graus, sendo o último o de “Cavaleiro Noaquita”, vingou no Brasil.

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Irm.˙. André Otávio Assis Muniz