10 de abril de 2017

Clássicos da Maçonaria

Obras Clássicas

Maçonaria na Música

Veja (e ouça) alguns clipes, obtidos no Youtube, de obras feitas por músicos que foram maçons:

1) Acácia Amarela, de Luiz Gonzaga:

2) Pedreiros de Deus, de  Mococa e Paraíso:

3) Carinhoso, de  Pixinguinha:


4) Suíte Sinfônica nº 1, de César Guerra Peixe:

5) Moonlight Serenade, de Glenn Miller:

6) In a Sentimental Mood, de Duke Ellington


7) Pleyel’ Hymn, de Ignatz Joseph Pleyel:

8) Whispering, de Paul Whiteman:

9) O Guarani (Abertura), de Carlos Gomes:


10) A Flauta Mágica (Abertura), de Mozart:

11) Triste Cuíca, de Hervê Cordovil e Noel Rosa:

A seguir, alguns dados biográficos de músicos que foram maçons:

Alfredo da Rocha Vianna Filho  (Pixinguinha – compositor carioca):

É considerado o Pai da Música Popular Brasileira. “Carinhoso” é o seu mais expressivo sucesso.

Alton Glenn Miller  (Compositor, arranjador e maestro da cidade de Clarinda – Iowa):

Símbolo de toda uma geração, foi líder da mais popular orquestra, na era das Big Bands. Seu inesquecível sucesso foi “Moonlight Serenade”.

Antonio Carlos Gomes  (Compositor campineiro):

O maior compositor clássico brasileiro. Autor da Ópera “O Guarani”.

Arthur Seymour Sullivan  (Compositor e músico da cidade de Londres):

Célebre por suas óperas e operetas, escritas em parceria com William Shwenck Gilbert. Com ele, formou a famosa dupla “Gilbert & Sullivan”. Foi organista da Grande Loja Unida da Inglaterra.

Cesar Guerra Peixe  (Compositor e maestro da cidade de Petrópolis – Rio de Janeiro):

Criador da Escola Brasileira de Música Popular. É autor de vasta obra. “Sinfonia no. 1” e “Maracatus do Recife”, são destaques.

Charles-Auguste de Bériot  (Violinista e compositor da cidade de Louvain):

Foi aluno de Viotti, violinista do Rei William Eu, fundador da Escola de Violino Franco-Belga e professor em Bruxelas. Foi um dos violinistas mais distintos de sua época.

Chester Burton Atkins/ Chet Atkins  (Guitarrista country e músico da cidade de Luttrell – Tennessee):

Foi o guitarrista que mais influenciou a música country e western. É considerado o criador do “Som de Nashville”.

Edward Kennedy Ellington/Duke Ellington  (Compositor, arranjador, líder de orquestra da cidade de Washington – DC):

Excepcional pianista de Jazz, são destaques musicais “Caravan”, “In a sentimental mood”, “Take the “A” train”, entre outras. Duke é considerado o músico do século 20.

Eubie Blake  (Pianista e compositor de Baltimore – Maryland):

Começou a tocar com 4 anos de idade e se tornou grande músico de Ragtime.

Franz Joseph Haydn  (Compositor clássico da cidade de Rohrau):

Considerado o Pai da Sinfonia Clássica. Um dos mais célebres compositores da história.

Franz Liszt  (Compositor e pianista da cidade de Raiding):

Um gênio criativo e talento extraordinário. Criador do Poema Sinfônico, das Rapsódias Húngaras, Oratórios, inovando na execução do piano. Alterou o curso da história da música em seu tempo e no século seguinte. O total de composições chega a 350.

Franz-Peter Schubert  (Músico e compositor de Viena):

Sua música é diferente do que se conhece. Pode-se dizer, sem errar que Schubert é gênio imortal dos grandes clássicos.

Georg Philipp Telemann  (Compositor clássico da cidade de Magdeburg):

Seu estilo é definido entre o barroco e o clássico. Seu grande talento consiste em combinar o barroco convencional com a graça da melodia italiana e a orquestração francesa.

Giácomo Meyerbeer  (Compositor e pianista da cidade de Vogelsdorf):

Entre suas principais obras, destacam-se “Il Crotiato in Egito” e “Robert Le Diable”.

Hervê Cordovil  (Músico, compositor e maestro da cidade de Viçosa/MG):

No Rio de Janeiro estudou piano e fez músicas com grandes compositores, como Noel Rosa, Lamartine Babo, Adoniram Barbosa e Luiz Gonzaga. É considerado um gênio da música popular brasileira.

Ignatz Joseph Pleyel  (Compositor, músico e pianista da cidade de Ruppersthal):

Um dos destaques de suas obras: “Pleyel’s Hymn”, do ano de 1791, muito utilizada pelas lojas maçônicas.

Irving Berlin  (Músico e compositor da cidade de Tyumen, na Rússia):

Foi um dos grandes compositores a fazer sucesso nos Estados Unidos. Escreveu mais de 1.500 canções. As principais: “Blues skies”, “But not too much” , “White Christmas”.

Jakob Ludwig Felix Mendelssohn  (Compositor da cidade de Hamburgo):

Gênio criador de sonatas, concertos, sinfonias para cordas, quartetos para piano. É autor da conhecidíssima “Marcha das Noivas”- The wedding march.

Jerome David Kern  (Compositor musical de Nova Iorque):

Compôs mais de 700 canções. Mais de 100 para shows e filmes. É considerado um dos maiores compositores populares.

Johann Christian Bach  (Compositor da cidade de Leipzig):

Proeminente compositor da era pré-clássica. Filho de Sebastian Bach e denominado “O Bach Inglês”.

Lamartine de Azeredo Babo  (Músico carioca):

Um dos mais completos compositores brasileiros.

Lionel Hampton  (Músico e instrumentista de jazz da cidade de Louisville – Kentucky):

É considerado o “Rei do Vibrafone”.

Louis Armstrong / O Satchmo  (Trompetista de New Orleans):

É o mais importante músico de Jazz que se conhece.

Ludwig van Beethoven  (Compositor alemão):

Um dos mais célebres compositores clássicos de todos os tempos.

Luigi Cherubini  (Compositor da cidade de Florença):

Contribuiu muito para o desenvolvimento da Ópera e da Música Sacra. Sua mais importante ópera foi “Lodoïska” e a música de igreja, “Requiem em C menor”.

Luiz Gonzaga (Músico, compositor e cantor pernambucano):

Um dos grandes nomes da música popular brasileira, é considerado do “Rei do Baião”.

Nathaniel Adams Coles/ Nat King Cole  (Pianista e cantor da cidade de Montgomery – Alabama):

De voz rara e inconfundível, Nat era um cantor emocional e envolvente com suas baladas populares que fizeram muito sucesso em todo o mundo.

Niccolò Paganini  (Violinista e compositor de Gênova):

Considerado o maior de sua época. Entre suas composições, “Capricci” e “Narold en Italie”.

Oscar Emmanuel Peterson  (Músico e compositor da cidade de Montreal):

Considerado do Piano do Jazz, destacou-se nos Estados Unidos, onde passou a residir, como líder de uma das bandas que encantou o mundo.

Paul Whiteman  (Compositor, regente e arranjador da cidade de Denver – Colorado):

Lançou George Gershwin com “Rapsody in blue”. É autor de canções como “Whispering” e “Japanese Sandman”. É considerado o Rei do Jazz.

Wolfgang Amadeus Mozart  (Gênio da música clássica de Salzburgo, na Áustria):

O maior de todos os compositores clássicos.

A MÚSICA MAÇÔNICA DE MOZART

Um dos mais fantásticos músicos da história, maçom, criatividade incomum, reunindo 675 peças, dentre elas várias composições maçônicas

Johannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart, seu nome de batismo, nasceu em Salzburg, na Áustria, em 27 de janeiro de 1756, Mozart preferia ser chamado de Amadeus, pois o nome Theophilus, dado por seu padrinho Johannes Theophilus Pergmayr e que em grego significa “amigo de Deus”, tinha, em sua forma latina, um som mais agradável: Amadeus. Algumas vezes assinava com a forma francesa Amadè.

Leopold, o pai, percebeu desde cedo o talento e ensinou-lhe música, pois era teórico e virtuose de violino, tendo o cargo de compositor de câmara e mestre-capela do príncipe-arcebispo de Salzburg. Dos sete filhos de Anna Maria Pertl e Johan Georg Leopold Mozart, sobreviveram apenas Wolfgang e sua irmã, quatro anos mais velha, Maria Anna Walpurga Ignatia, apelidada de Nannerl.

Leopold exerceu um importantíssimo papel na vida de Wolfgang. A formação moral, religiosa e humanística, juntamente com a sólida preparação musical, deve ser inteiramente creditada a Leopold. O carater pedagógico da obra “Ensaio sobre os Fundamentos da Escola de Violino”, escrita e editada em 1756 por Leopold, também publicada em outras línguas, já prenunciava a base da esmerada e cuidadosa formação de seus filhos, pois Nannerl era desde pequena uma exímia cravista.

Wolfgang Amadeus Mozart( 1756 – 1791 ) com a idade de 6 anos.

As primeiras composições de Wolfgang datam de 1762, quando tinha 6 anos e eram trios de cravo, violino e piano para serem tocados com a irmã e o pai. A primeira apresentação pública de Mozart foi aos cinco anos de idade na Universidade de Salzburg. A exemplo de outros pais de sua época, Leopold nada via de impróprio na exibição e exploração do abençoado talento do filho. Em janeiro de 1762, Wolfgang, o pai e a irmã partiram para uma viagem de três semanas a Munique, onde se apresentaram para o príncipe eleito da Baviera, Maximiliano José.

França, Alemanha, Checoslováquia, Inglaterra e Itália conheceram o prodígio Mozart, que encantava príncipes e imperadores.

Iniciaram-se neste ponto as muitas viagens que a família Mozart fez pela Europa, todas muito bem documentadas, pois os Mozart eram profícuos correspondentes, além de Leopold escrever detalhados diários de viagem. Entre 1762 e 1791, ao longo de 29 anos, foram trocada 1.200 cartas entre pai, mãe, irmã e amigos. França, Alemanha, Itália, Checoslováquia e Inglaterra conheceram o prodígio Mozart, que encantou imperadores, príncipes, nobres e burgueses. Algumas dessas viagens duraram três anos e as precárias condições dos transportes, estradas e hospedarias aliadas ao duro clima europeu, submeteram as crianças a constantes doenças como febre tifóide, reumatismo e ataques de varíola.

Num dos retornos a Salzburg, Mozart foi empregado como mestre-concerto da capela da corte, onde Leopold ocupava o cargo máximo de Kapellmeister ou mestre-capela (equivalente a regente ), do príncipe arcebispo Sigismund, conde de Schrattenbach.

As viagens continuaram: primeiro para Milão, depois para Bolonha, onde, em uma audiência com o papa Clemente XIV, Mozart recebeu a grande comenda “Ordem do Cavaleiro da Espada Dourada”, uma alta honraria para um jovem artista de apenas quatorze anos.

De Salzburg, chegaram notícias de que um novo patrão, o príncipe-arcebispo Hyeronimus Colloredo, reclamava da ausência de seus dois músicos. As várias cortes européias eram formadas por cidades-estados independentes, regidos por uma corte imperial. Salzburg, sua cidade natal, embora também tivesse sua corte, se tornaria muito pequena para o cosmopolita Mozart. Aos dezesseis anos e tendo até então composto muitas peças de reconhecida qualidade, além de sete óperas, algumas com estrondosa repercussão, Wolfgang tentava, em cada capital, um emprego mais prestigioso e com maior remuneração.

As idas e vindas de pai e filho desagradavam profundamente o príncipe-arcebispo Colloredo, que, inquieto, recebia por comentários de visitantes, artigos e críticas de jornais, notícias da movimentação musical que seus empregados faziam pelo continente.

Durante uma viagem com a mãe Anna Maria, a Mannheim, Mozart apaixonou-se perdidamente pela principal cantora lírica de uma companhia de óperas, Aloysia Weber, que tinha dezesseis anos. Teve que desistir da jovem pressionado pelo seu pai, que, através de insistentes cartas, ordenava sua ida a Paris em busca de emprego e segurança, pois de casacas, condecorações e relógios presenteados já estavam fartos e as constantes viagens só aumentavam as dívidas.

Paris, durante o inverno de 1778, fervilhando de artistas do calibre de Mozart, não recebeu muito bem o jovem compositor. Sua mãe, abalada por graves problemas de saúde, morreu longe de casa. Triste e sozinho, Mozart ainda permaneceu por mais três meses na capital francesa, aguardando um emprego que nunca se confirmou. A caminho de Salzburg, Mozart passou por Munique onde estava atuando a companhia de óperas de Fridolin Weber, pai de Aloysia, que, mais uma vez, desprezou as investidas do apaixonado.

Chegando a Salzburg, Mozart foi nomeado organista da corte e permaneceu executando suas funções por 24 meses. Foram dois anos de rotina aborrecida, quebrada apenas por uma ópera encomendada pelo príncipe Carl Theodor, para a temporada lírica de Munique.

A permissão de ausência concedida para ir a cidade próxima, distante 120 quilômetros, por um peíodo de seis semanas, expiraria em breve e os atrasos nos ensaios que o compositor viera acompanhar precipitariam alguns importantes acontecimentos: Mozart cansara-se da vida de músico empregado, que apesar do salário razoável, tinha que se vestir de libré, (uma espécie de casaco característico para distinguir os empregados ) e comia na cozinha, juntamente com os outros criados; sua antiga paixão, a jovem Aloysia Weber, casara-se com Joseph Lange, ator e retratista oficial da corte de Viena; sua nova ópera Idomeneo, a que se atrasara, havia estreado em Munique e fora aclamada pela crítica e público como magnífica.

De volta a Salzburg, cansado, dezesseis semanas depois, Mozart sentiu que as desavenças com Colloredo recrudesceram. O acontecimento principal e marcante ocorreu na viagem com a corte do arcebispo a Viena, onde seria coroado o novo imperador Joseph II. Mozart foi despedido por recusar-se a cumprir uma tarefa que julgara ridícula e desimportante: a de levar uma correspondência de volta de Salzburg. Expulso da comitiva de Colloredo, refugiou-se como hóspede na casa da família Weber e suas quatro filhas.

A cidade de Viena em 1781, uma das mais exuberantes da Europa, era uma capital de 175 mil habitantes, efervescente e próspera. O novo Imperador Joseph II, empenhado em reformar o Estado, criou condições para que um caldo de cultura invadisse o império austro-húngaro. Em Viena, músicas eram ouvidas a qualquer hora do dia ou da noite e onde Mozart, o primeiro profissional independente da música, encontraria espaço para legar ao mundo 675 composições em 35 anos de sua curta existência.

As obras de Mozart foram cuidadosamente catalogadas por seu pai, a partir de 1768, quando o compositor tinha 12 anos.

Mozart, com a idade de 11 anos.

Posteriormente, foram completadas por Ludwig Ritter Von Köchel, que 100 anos depois, em 1862, publicou o “Índice Cronológico de Wofgang Amadeus Mozart”, conhecido simplesmente por índice Köechel, que resulta na letra K seguida do número da composição.

Sua vida como músico independente começou com modéstia. Em junho de 1781, ele se desculpava em carta ao pai, por mandar somente 30 ducados, pois até o momento tinha apenas uma aluna e conseguia, com muito custo, sobreviver. Mas antes do fim do outro mês, já estava também dando aulas para a filha de um conselheiro da corte. Morando com a família Weber, o jovem de 25 anos viu-se envolvido pela então Maria Cecília que, alcoviteiramente, propôs-lhe o namoro com a mais nova de suas filhas, a também cantora lírica Constanze.

Um ano depois, em julho de 1782, com a situação financeira mais estável, tendo então vários e famosos alunos e com o estrondoso sucesso da ópera “O rapto do Serralho” (texto cômico, ambientado em um harém turco ), Mozart pediu permissão ao pai para se casar. Casaram-se Constanze e Mozart em 4 de agosto de 1782, sem a presença do pai e da irmã. Combinando as funções de professor de violino e piano, compositor de obras encomendadas e empresário de concertos por assinatura, os Mozart prosperaram. Em apenas um ano, mudaram-se para o cobiçado apartamento de primeiro andar, status de alta burguesia em Viena. Festas, saraus e bailes eram constantes no amplo apartamento de Wipplin-gerstrasse.

Em maio de 1783, nasceu o primeiro filho do casal, Raymund Leopold, morrendo 4 meses depois de cólica intestinal, durante a ausência do casal, que tinha ido a Salzburg para que Constanze conhecesse o pai e a irmã.

O ano seguinte, 1784, foi um dos mais produtivos do período. Em março regeu dezenove concertos com casa lotada e recebeu inúmeras encomendas, regiamente pagas.

Foi iniciado Maçom e aprofundou sua amizade com o já famoso e aclamado compositor Joseph Haydn, que conhecera na sua chegada à capital.

Em 1785, Mozart viveu seu ano de glória. Colhia louros e fartos lucros de concertos por assinaturas, aulas particulares e direitos autorais pela edição de suas partituras.

O ano do triunfo de Mozart foi em 1785, que, na presença de Leopold, que o visitava, colhia louros e fartos lucros de concertos por assinaturas, aulas particulares para jovens e talentosos intérpretes (Beethoven teve aulas com ele), direitos autorais pela edição de suas partituras e pelo prestígio do imperador Joseph II, presente em várias de suas concorridas audições. Numa das centenas de cartas ao pai, Mozart diz: “(…) O senhor deveria ouvir o que este novo arco de violino pode fazer, são sutis nuances que eu nunca ouvi antes! A haste é feita de uma madeira vermelha vinda de Pernambuco, no Brasil, que é forte e flexível, elástica como o cabo de um bom chicote (…)”.

Mozart continuou sua produção musical em ritmo alucinante, combinando o fluxo de dinheiro, festas e extravagância, com a precária saúde em declínio.

Mozart adorava jogar, ficando a mesa de bilhar ao lado do piano e que serviu muitas vezes de “mesa de composições”, como qualquer lugar que ele encontrasse para repousar a pena e a folha pautada. Gostava também de esgrima, da dança e de cavalgar. Em 1786, estrearam: a sinfonia “Praga” e a ópera “As Bodas de Fígaro”, dois grandes sucessos em Viena e também em Praga, cidade para onde se dirigiu o casal em busca de sucesso, permanecendo nesta capital por treze meses. Em 1787 foi o ano da morte de Leopold, aos 68 anos. Foi um período de grande sofrimento e muito trabalho na composição de uma ópera para o teatro em Praga, o famoso drama dramático “Dom Giovanni”, sendo Mozart ovacionado em cena aberta, em várias audições. Também neste período, houve o agravamento de problemas renais. As crises levavam Mozart a alternar períodos de euforia e depressão. Triunfando em Praga, retornou a Viena para uma boa notícia: fora contratado como Kammer-musicus ou compositor da corte imperial, com salário anual de 800 florins, apenas razoável para o padrão de vida do abastado Mozart. Nos três anos seguintes, as finanças de Wolfgang foram completadas por vários empréstimos feitos por um empresário, mestre maçom de sua Loja, Michael Puchberg.

Sua saúde declinava e Constanze, uma mulher frágil e magra, dos seis partos que tivera, somente dois filhos tinham conseguido atingir a idade maior do que um ano. Em 1791, no último e mais importante ano musical, Mozart, debilitado, compôs, entre outros, a ópera “A Flauta Mágica”, seu maior sucesso de público e crítica e a magnífica e impressionante “Missa de Réquiem”. Contrariando a crença difundida alguns anos após, de que a morte lhe encomendara uma música para o seu funeral, a missa de Requiém foi uma peça encomendada pelo rico e excêntrico conde Franz Von Walssegg-Stupach, que se apresentara a Mozart disfarçado em criado, pagara um preço acima da média e que tinha o costume de assinar, como de sua autoria, composições de vários compositores da época.

Esta obra foi completada na terça parte que faltava, após a morte do compositor, por seu discípulo e copista auxiliar Franz Xavier Sussmayr, conforme orientações expressas por Mozart. Na madrugada do dia 5 de dezembro de 1791, Mozart morreu de insuficiência renal aguda e febre reumática, aos 35 anos de idade, legando à humanidade um gigantesco acervo de 675 obras da mais fina ourivesaria musical.

Mozart foi iniciado na Maçonaria em 14 de dezembro de 1784, aos 28 anos, na Loja A Beneficência em Viena

Mozart foi iniciado na Maçonaria em 14 de dezembro de 1784, aos 28 anos, na loja “A Beneficiência” ( Zur Wohltatigket ) em Viena, uma dentre as 57 oficinas (17 na Áustria, 7 na Bohêmia, 4 na Galícia, 12 na Hungria e 17 nos Países Baixos ), filiadas à Grande Loja da Áustria (Grosse Landesloge von Österreich ). Eram apoiadas pela poderosa Grande Loja da Alemanha. A Loja “A Beneficiência” realizava suas sessões no templo de uma loja maior e mais influente, chamada A Verdadeira Concórdia ( Zur Wahren Eintracht ).

A Europa do século XVIII fervilhava com os ideais humanistas. As sociedades secretas proliferavam e, entre tantas outras, as mais conhecidas eram: os Irmãos Asiáticos, os Iluminados da Baviera, o Escocesismo e a antiga Rosa-Cruz. Algumas ordens estavam concentradas nos ideais revolucionários e nas ações políticas, mas no geral, as sociedades estavam mais voltadas aos ideais da filosofia, fraternidade e, principalmente, aos oportunos tráficos de influência. A Maçonaria era uma das sociedades que mais se desenvolveram no século XVIII. Em 24 de junho de 1717, dia de São João Batista, padroeiro dos antigos maçons operativos, foi criada a Grande Loja de Londres, com a reunião de quatro lojas maçônicas, numa federação, à qual outras lojas vieram a se filiar. O objetivo era dar unidade aos ritos, usos e costumes advindos da evolução das guildas e hansas construtivas desde a Idade Média. A partir do século XVII, os pedreiros maçons aceitavam, em suas lojas esparsas e ocasionais, intelectuais, oficiais militares, nobres e outros não “operativos” em seu seio. Desde 1646, quando o astrólogo e esotérico Elias Ashmole fora aceito e iniciado em uma loja operativa de Warrington, na Inglaterra, as lojas maçônicas ou oficinas deixaram a conotação obreira – o ofício da construção – para se dedicar às especulações filosóficas, metafísicas, esotéricas e científicas. Trabalhavam em torno de símbolos ligados à arte da construção, razão pela qual a Ordem passou a ser chamada de simbólica.

A Maçonaria floresceu na Áustria, Bohêmia e Hungria, principalmente pelo exemplo dado por Franz Stephen, duque de Lorraine e príncipe-consorte da imperatriz austríaca Maria Thereza. Ele se tornara maçom em 1731, iniciado em Haia, numa loja ocasional, constituída por Theophilus Desaguiliers (que participara com John Anderson na elaboração da Constituição dos Maçons), que era grão-mestre da grande Loja da Inglaterra.

Atribui-se a Franz Stephen a consolidação da primeira loja maçônica de Viena: “Os Três Canhões” (Die Drei Kanonen) e por ter convencido o falecido sogro e imperador, Carlos VI, a não aplicar, em seus territórios, a Bula Papal “In Eminenti”, sancionada em 1738 por Clemente XII, que condenava os maçons. Desde os primórdios até 1789, a maçonaria austríaca desenvolveu-se de forma soberba, tornando-se o principal ponto de encontro da elite intelectual.

O ritual adotado para os trabalhos nas oficinas era o Rito da Estrita Observância, ou Rito Escocês Retificado, criado em 1761 na Alemanha pelo barão Karl Gathen Von Hundt, que compreendia três graus simbólicos: Aprendiz, Companheiro, Mestre e quatro graus filosóficos: Mestre-Escocês, Neófito, Templário e Cavaleiro Professo. A partir do início do ano de 1785, uma série de editos desencadeou o ocaso da maçonaria na Áustria. O ministério da Polícia e o imperador Joseph II acreditaram nos boatos de que os maçons tramavam a queda da Casa Real de Habsburg e que haviam se tornado demasiado influentes, com lojas cada vez mais ricas e poderosas. O objetivo era também de coibir o crescimento acelerado de centenas de ordens herméticas e secretas e eliminar as correntes pseudomaçônicas que ploriferavam por todo o império austro-húngaro. Baixou então um decreto de expurgo, onde cada cidade deveria ter, no máximo, três lojas maçônicas.

Reorganizaram-se as nove lojas de Viena e vários de seus membros, por temor, afastaram-se. As exigências do imperador sobre listas de membros, cargos e outras informações é que nos permitem, hoje, ter acesso a muitos documentos sobre a Maçonaria austríaca, Mozart e a situação da Ordem no século XVIII.

Ao analisarem a produção de Mozart, ao longo de 1785, os mais importantes musicólogos selecionaram 24 obras com marcante influência dos ensinamentos maçônicos.

Mas as ligações de Wolfgang com a Maçonaria começaram muito antes de sua iniciação. Em fins de 1767, Leopold, Anna Maria, Narnnel e Wolfgang, então com 11 anos, deixaram Salzburg e foram para Viena para as bodas nupciais da arquiduquesa Maria Josepha com o rei Ferdinando de Nápoles. O ambiente festivo transformou-se em luto, pois uma epidemia de varíola vitimou centenas de pessoas, inclusive a noiva real. Para não correr riscos, os Mozart partiram para Olmutz, na Checoslováquia. Mesmo assim, as crianças sofreram leves ataques de varíola e foram tratadas pelo Dr. Josef Wolff, conceituado maçom. O menino Wolfgang, em agradecimento, compôs uma melodia para o médico, sobre um texto maçônico escrito pelo poeta Johann Peter Uz, celebrando a “Alegria, Rainha dos Sábios”.

Acostumado desde criança ao estudo intensivo da literatura e da poesia, o jovem músico encantou-se com a coletânea de poemas maçônicos publicados em Berlim um ano antes, extraindo dela o texto “A Amizade”. Após sua iniciação, doze anos depois, Mozart colocou na canção um subtítulo “Cântico Solene para uma Loja de São João” (Lobgesang Auf Die Feierliche Johannisloge) e foi destinada à cerimônia litúrgica “Cadeia de União”, que segundo o ritual em uso, era como se encerravam todas as sessões das lojas.

Os primeiros versos são:
Oh sagrados laços que unem os verdadeiros irmãos

   Tal como a maior felicidade e delícias do Eden
Para teus círculos sou sempre atraído
Pois torna a vida bela e cheia de encantos.

O BEETHOVEN PROFANO E O BEETHOVEN MAÇÔNICO

O Beethoven Profano

Ludwig Van Beethoven (1770 – 1827), alemão com ascendência holandesa, o nome da família derivado do nome de aldeia na Holanda e seu avô originário da Bélgica. O pai de Beethoven, também músico, entregou-se ao alcoolismo. Desde os treze anos o jovem gênio já ajudava na casa, atuando como organista, cravista, ensaiador do teatro, músico de orquestra e professor, assumindo a chefia da família. Ainda adolescente, através do Conde Waldstein, foi aluno do mestre Mozart em Viena, mas parece que Mozart, embora reconhecendo seu talento não lhe deu a devida atenção. Em Bonn, começou a fazer cursos de literatura, já que saíra da escola com apenas 11 anos, e teve seus primeiros contatos com as idéias da Revolução Francesa, com as idéias do Iluminismo, e com a literatura alemã, principalmente de Goethe e Schiller. Esses ideais se tornariam fundamentais na arte de Beethoven. Em 1792, partiria definitivamente para Viena. Novamente por intermédio do Conde Waldstein, foi aceito como aluno de Haydn, outro grande mestre da época.

Era pianista virtuose e fazia sucesso na sociedade vienense, mas acreditava nos ideais revolucionários franceses. Surgiram os primeiros sintomas da surdez. Em 1796, começou a queixar-se e escondeu o problema. Somente após dez anos, revelou, em uma frase anotada em uma obra: “Não guardes mais o segredo de tua surdez, nem mesmo em tua arte!”. Em 1802, escreveu seu documento mais famoso: o Testamento de Heilingenstadt. Trata-se de uma carta, destinada aos dois irmãos, que nunca foi enviada, onde reflete sobre a tragédia da surdez, sobre sua vida e sua arte. Para Beethoven, sua música era uma verdadeira missão. A Sinfonia no. 3, Eroica, sua primeira obra monumental surge em seguida a essa crise. No terreno sentimental, outra carta sua, a Carta à Bem-Amada Imortal, escrita em 1812. Nela o compositor se derrama em sentimentos a uma “Bem-Amada Imortal”: “Meu anjo, meu tudo, meu próprio ser! Podes mudar o fato de que és inteiramente minha e eu inteiramente teu? Fica calma, que só contemplando nossa existência com olhos atentos e tranqüilos podemos atingir nosso objetivo de viver juntos. Continua a me amar, não duvida nunca do fidelíssimo coração de teu amado L., eternamente teu, eternamente minha, eternamente nossos”. A identidade da “Bem-Amada Imortal” nunca ficou muito clara e suscitou grande enigma entre os biógrafos de Beethoven.

Apesar de a surdez tê-lo dificultado o convívio social levando-o a um sofrimento profundo, apesar do comportamento esquisito, os últimos dez anos de sua vida foram de grandes obras-primas: as últimas Sonatas para piano, as Variações Diabelli, a Missa Solene, a Nona Sinfonia e, principalmente, os últimos Quartetos de cordas. Foi nesse momento que ficou seriamente doente falecendo em 26 de março de 1827.
Beethoven é reconhecido como o grande elemento de transição entre o Classicismo e o Romantismo. É clássico como Haydn e Mozart, mas repassa também o barroco de Bach e de Handel, que vieram antes dele, mas já adianta também o romantismo dos compositores que se seguirão. “Saída do coração, que chegue ao coração”, disse certa vez sobre sua música. Toda a obra beethoveniana possui uma forte personalidade, vai além do seu tempo.

O Beethoven Maçônico

Segundo o respeitado Roger Cotte, no seu livro Música e Simbolismo (1997), a ligação de Beethoven com a Maçonaria é dita, presentemente, por bastante provável, ou mesmo demonstrada. À falta de documentos maçônicos irrefutáveis, numerosos testemunhos indiretos o deixam entender, e muito mais ainda o número de suas partituras: passagem do segundo ato da ópera Fidélio, Adágio do Sétimo Quarteto, Opferlied, Pequena marcha em mi bemol, Nona sinfonia com coros sobre poema de Schiller tirado de uma compilação de cantos maçônicos, seu Bundeslied (canto para um elo de união) com coro masculino acompanhado da coluna de harmonia escrito sobre um poema de outro maçom famoso Goethe, e os fúnebres Equáles. A Fantasia para piano, orquestra, solistas e coro também parece responder a uma preocupação de ordem maçônica. Trata-se de uma composição ritual, excluindo as vozes femininas. Ainda segundo Cotte, foram maçons os mestres de Beethoven na música como Mozart, Neef, Haydn, Salieri, Shumppanizigh. Maçons foram também seus ilustres amigos e companheiros em trabalhos musicais como os escritores Schiller – o autor do poema da Ode à Alegria da Nona Sinfonia e Goethe – o autor do drama Egmont, cuja música foi composta por Beethoven.

Segundo Lewis Lockood no seu livro Beethoven: a Música e a Vida (2005), o documento mais conhecido sobre sua surdez é o Testamento de Heiligenstadt, uma das declarações mais comoventes feitas por um artista. Beethoven escreveu o documento no outono de 1802. “Estou preparado. Forçado a me tornar um filósofo aos 28 anos – embora não seja fácil, e para o artista seja muito mais difícil que para qualquer outra pessoa. Deus Todo-poderoso, que olhais no mais íntimo de minha alma, sabeis que ela está repleta de amor pela humanidade e do desejo de fazer o bem”. A Flauta Mágica de Mozart reverberou na consciência de Beethoven como um ensaio sobre a fraternidade humana. Se Beethoven chegou a ingressar numa loja maçônica não sabemos; vários amigos seus de Bonn seguramente ingressaram. Mas a última parte de seu testamento está repleto de resoluções para enfrentar as provações e a adversidade com elementos essenciais do ideal maçônico.

Segundo Zaly Barros de Araújo no seu livro Coluna de Harmonia (1997), “o musicólogo Alberto Basso enfrenta o caminho percorrido por Beethoven para compor a Nona Sinfonia, grande intenção do gênio beethoviano e que pode ser considerada obra maçônica. Foi a Sociedade Filarmônica de Londres que encomendou a Beethoven a criação de uma nova sinfonia. A Sociedade Filarmônica de Londres, desde sua origem, era integrada por maçons e se caracterizava pela maneira maçônica de tocar. “Significativo – escreve Basso, a respeito da origem maçônica da iniciativa que motivou Beethoven – é o fato de que nos casos em que a Sociedade Filarmônica de Londres resolveu encomendar uma obra original, fê-lo quase sempre recorrendo a músicos adeptos da maçonaria. Dentre os casos importantes – acrescenta ele – tão clamorosos quanto o da nona sinfonia, posso citar Cherubini (Sinfonia em ré maior, 1815), Mendelsohn (Quarta Sinfonia, Italiana, 1833), Hummel (Concerto para piano, 1833), Dvorak (Sétima Sinfonia, 1865), Saint Saens (Terceira Sinfonia, 1886)”. É a pura verdade – prossegue Basso – que não há documentos concretos da filiação de Beethoven mas a extratificacão cultural do compositor da nona sinfonia foi inteiramente maçônica. A essência da Nona Sinfonia é a parte final; uma oratória de invencível potência e força de persuasão, o músico deixa seu testamento, a sua mensagem, a sua advertência; uma lição de fé, de esperança, de caridade, em suma, uma glorificante síntese das virtudes e, finalmente, um admirável reflexo do imperativo da Maçonaria: “Virtude e universal benevolência”.   (ALDO S. MOLA – REVISTA HIRAM n. 3 – junho/1981 – GRANDE ORIENTE DA ITÁLIA – artigo citado no livro COLUNA DE HARMONIA – ZALY BARROS DE ARAÚJO – ED. MAÇÔNICA “A TROLHA” – 1997 – LONDRINA).

Citamos também obras como a abertura para orquestra sinfônica “A Consagração da Casa”, a Marcha em si bemol maior – usada na ritualística maçônica para entrada dos dignatários no Templo, e uma Canção para tenor e piano com texto do maçom Wegeler – música executada em iniciação ao primeiro grau e com alusão ao simbolismo dos quatro elementos e à conquista da liberdade. Possuem conotação maçônica, além da Nona Sinfonia, também a Terceira Sinfonia – a “Eróica”, a Quinta Sinfonia – chamada de “Sinfonia do Destino”, a Sétima Sinfonia – já definida como “A Apoteose da Dança”.

Apesar dos textos analisados e de Beethoven ser citado como maçom em páginas da internet de Grandes Lojas da América do Norte e da Europa, não podemos asseverar se foi um profano com profunda identificação com a maçonaria ou se foi verdadeiramente um maçom. O que realmente importa é o que disse Otto Maria Carpeaux no seu livro Uma nova história da música (1950) dizendo que “música, como a entendemos, é um fenômeno específico da civilização ocidental” e, também, que, em nenhuma outra civilização ocupa um compositor a posição central que Beethoven tem na história da nossa civilização.

A 9ª Sinfonia de Beethoven e a Maçonaria

Dentro do nosso universo musical, existem obras que transcendem e muito os limites do comum. São fortes, densas, misteriosas. Ouvindo-as em circunstâncias apropriadas parece que podemos tocá-las. Têm corpo, alma e coração! Foi entre essas maravilhas que procuramos buscar as que estivessem mais próximas dos nossos preceitos, que sobrelevam principalmente a união, a fraternidade e a integração entre os povos.

Conhecido por todos os maçons é a prática da utilização de músicas instrumentais na maior parte dos nossos trabalhos, mas devemos saber também que não há nada que impeça o uso de vocais, desde que adequados aos nossos usos e costumes.

¨Ode To Joy¨, ou ¨Ode à Alegria¨, estava entre as músicas selecionadas, porém, por se tratar de uma música com vocal, e não sendo o idioma utilizado o nosso vernáculo, busquei maiores detalhes sobre a obra, o que foi relativamente difícil pela escassez de informações e de pessoas com conhecimento acerca do assunto. Por intermédio de um amigo, dono de um ¨sebo¨ e perito no assunto, descobri que a música que eu já admirava era muito melhor e com uma história mais abrangente do que eu concebia até então. A ¨Ode à Alegria¨ era apenas uma das partes da 9ª Sinfonia de Beethoven, tida como a mais importante de suas obras. Mas a pesquisa tinha que continuar, pois era necessário se chegar até a sua tradução para saber o que havia nela de maçônico.

Na seqüência da minha investigação outra surpresa: os versos do poema, que compõe a ¨Ode à Alegria¨ estão no 4º e último movimento da 9ª Sinfonia, e não eram de Beethoven, e sim do seu conterrâneo Friederich Von Schiller, importante poeta, dramaturgo e filósofo alemão. Após conhecer o poema de Schiller em 1792, Beethoven, que tinha na alma o ideário da liberdade e do amor pela humanidade, absolutamente fascinado, decidiu inserir em sua arte aquela peça, quem sabe de inspiração divina, que acabara de ler.

Em fevereiro de 1824, depois de 32 anos, estavam musicados os difíceis versos de Schiller, e um Beethoven já praticamente surdo, fazia nascer a sua obra-prima, que Brahms retratou com as seguintes palavras: “ouví-la é como escutar atrás de si o ressoar dos passos de um gigante”.

Mas e a tradução? O que tem a ¨Ode à Alegria¨ e a ¨Nona¨ a ver com a Maçonaria? Eu vos respondo: ABSOLUTAMENTE TUDO! A música e os versos, que vão infra-citados e traduzidos, são uma verdadeira exaltação à fraternidade humana e nos faz vislumbrar no futuro um mundo onde seremos um só povo!

Minhas indagações prosseguiam. Schiller não era maçom e Beethoven, apesar da controvérsia entre estudiosos, também não o era, ou pelo menos não existe nenhum documento conhecido que comprove o fato. Mas, a principal novidade dessa peregrinação por informações para detectar pontos em comum dessa obra com a Ordem, eu exponho agora: Os versos de ¨An Die Freude¨ ou Ode à Alegria foram feitos por Schiller para um amigo. Detalhe: seu amigo era maçom e o poema era para ser recitado em sua loja. Confesso que esse dado me causou uma impressão profundamente forte, fazendo com que eu passasse a observar que as mais grandiosas ações humanas parecem inspiradas pela Sublime Instituição mesmo quando são implementadas por profanos.

Abaixo, o poema traduzido:

Ode à Alegria
(An Die Freude)

Oh amigos, mudemos o som!
Entoemos algo mais prazeroso
E alegre!
Alegria, formosa centelha divina,
Filha do Elíseo,
Ébrios pelo fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Tua magia volta a unir
O que o costume rigorosamente dividiu.
Todos os homens se irmanam
Ali onde teu doce vôo se detém.
Quem já conseguiu o maior tesouro
De ser o amigo de um amigo,
Quem já conquistou uma mulher amável
Rejubile-se conosco!
Mesmo aquele que conquistou apenas uma alma,
Uma única alma em todo o mundo.
Mas aquele que falhou nisso
Que fique chorando sozinho!
Da alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.

Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até a morte;
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim para se erguer diante de Deus!
Alegremente, como seus sóis corram
Através do esplêndido espaço celeste
Se expressem, irmãos, em seus caminhos,
Exultantes como o herói diante da vitória.
Alegria, formosa centelha divina,
Filha do Elíseo,
Ébrios pelo fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Enviem um beijo ao mundo todo!
Mundo, você sente a presença do seu Criador?
Pois milhões se abatem diante dele!
Abracem-se milhões!
Porque Irmãos, além do céu estrelado
Deve haver um Pai Amado!

Conforme podemos observar nos versos acima não há a menção a supremacia de uma nação sobre a outra, ou de um credo, ou de uma raça. Há sim, a glorificação de um ideal supremo que não enxerga fronteiras para a fraternidade humana. Nesse mundo, onde visionários como Schiller e Beethoven nos colocam, não há espaço para querelas ultra-nacionais, religiosas, patrimonialistas ou segregacionais.